O encanto do FERMENTO NATURAL


Há uns dois anos caiu em minhas o livro "Cozinhar. Uma história natural da transformação", de Michael Pollan. Infelizmente, foi um contato muito rápido.  
Algum tempo depois, encontrei no Netflix o documentário "Cooked", do mesmo autor do livro, dividido em 4 episódios, cada um dedicado a um dos elementos naturais - fogo, água, ar e terra - e como eles influenciaram a história da humanidade por meio da alimentação. 
Chamou minha atenção, no capítulo dedicado ao ar, a história dos pães primevos, elaborados com apenas 4 ingredientes essenciais - farinha, água, fermento e sal - e como a indústria alimentícia conseguiu transformá-lo num alimento totalmente industrializado e repleto de ingredientes altamente químicos e de baixo valor nutricional. 
Me recordo de uma passagem do filme em que o autor afirma que, se um ser humano não tiver acesso a alimento, mas dispor de água e pão, ele sobrevive; mas se estiverem à disposição apenas a água e a farinha de trigo, certamente essa pessoa morrerá. Ora, ambos são os ingredientes necessários à elaboração do fermento natural, conhecido como levain na França, lievito di birra na Itália, sourdough na Inglaterra e massa madre na Espanha.
No episódio dedicado à terra, foram tratados os processos de fermentação do cacau, do leite, da uva e tornei-me consciente do poder que os fungos e batérias possuem de transformar substâncias em alimentos saudáveis, altamente benéficos ao organismo humano e de digestão mais fácil. Além do que os alimentos fermentados constituem uma base sólida na alimentação humana que se perpetua por gerações há centenas de anos: pão, vinho, queijos, iogurtes, kefir, cerveja, chocolate!
Nascia o meu encanto pelo poder das leveduras!
Nascia o meu desejo de produzir pães de forma natural.
Talvez a semente desse desejo tenha nascido um pouco antes, quando tive câncer de mama. Naquela época eu já era adepta de uma alimentação leve. Assumi o propósito de me alimentar de forma mais natural, com baixo teor de produtos químicos industrializados. 
Nado contra a maré da modernidade: uso alimentos orgânicos sempre que possível, cozinho, faço pães, bolos, crackers, saladas, sobremesas, leites vegetais, higienizo minhas verduras e prefiro tudo o que é feito em casa com ingredientes naturais. Inclusive, preparo e levo marmita para o trabalho.
Fujo das armadilhas práticas das comidas congeladas, molhos prontos, carnes temperadas, bebidas industrializadas. Aprecio a "comida de verdade".
Por tudo isso, também sou grande fã da Rita Lobo e do site Panelinha - www.panelinha.com.br

Imagem: http://www.panelinha.com.br/blog/pitadas/Michael-Pollan-reflete-sobre-Cozinhar

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